sexta-feira, 17 de maio de 2013

Orgulho Brasileiro: "ONU nomeia general do Brasil para comandar missão de paz no Congo"

G1

Santos Cruz chefiará 23,7 mil homens e terá missão de neutralizar rebeldes.
'Vamos fazer o que precisa ser feito', diz general, que já atuou no Haiti.


O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, de 60 anos, foi nomeado nesta sexta-feira (17) pela Organização das Nações Unidas como novo comandante militar da missão de paz no Congo (Monusco), que possui o efetivo de mais de 23,7 mil homens, tem caráter de imposição da paz e é a única atualmente com autorização para intervir em um conflito. 
G1 divulgou com exclusividade em 24 de abril o convite feito diretamente pela ONU ao general em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo Exército na missão de manutenção da estabilidade no Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil desde 2004.
Ao contrário das missões normais da ONU, como a do Haiti, em que as tropas buscam a imparcialidade e não podem atacar, a missão do Congo é de imposição da paz e os soldados podem ter ações "proativas", o que, no jargão militar, signfica que os soldados podem realizar operações para prender e recuperar áreas dominadas por rebeldes.

"A brigada de intervenção tem um mandato definido, que é trazer a paz e garantir melhores situações para o povo do Congo. E a missão vai ser cumprida. Vamos fazer o que tem que ser feito para atingir os objetivos do mandato", afirmou o general ao G1 após a nomeação, salientando que ainda não definiu quais estratégias empregará para pacificar o Congo.

"É com felicidade que recebo esta missão. Devo embarcar para Nova York o mais rápido possível, talvez na próxima semana, onde terei um treinamento inicial na ONU e depois devo seguir direto para o Congo", disse.



A nomeação de Santos Cruz foi anunciada nesta sexta-feira pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Ele vai substituir o general de divisão indiano Chander Prakash Wadhwa, cujo mandato foi concluído em 31 de março, informou aONU.
Santos Cruz foi o comandante das forças da ONU no Haiti entre 2007 e 2009, chefiando mais de 12 mil homens. Ele foi o general brasileiro que mais tempo ficou no posto. Atualmente é general de divisão, tendo passado para a reserva do Exército em novembro de 2012, após não ter sido promovido à mais alta patente da Força. Em seguida, passou a integrar a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.
"A situação do Congo é bem diferente da do Haiti. É um país de dimensões continentais, com vários grupos rebeldes distintos, diferenças étnicas. Uma situação extremamente complexa. Mas a comunidade internacional está apoiando a iniciativa da ONU", afirma o general.

Santos Cruz trabalhou no Haiti em conjunto com o representante da ONU na Minustah, o guatemalteco Edmond Mulet, no processo de pacificação das regiões mais violentas do país caribenho, como Cité Soleil, em que foram necessárias operações robustas para que os capacetes azuis recuperassem áreas dominadas por grupos armados.

Atualmente Mulet é subchefe do Departamento de Missões de Paz das Nações Unidas (DPKO). Em setembro de 2012, em entrevista exclusiva ao G1 no Rio de Janeiro, Muletafirmou que havia feito a Amorim o pedido para que o Brasil enviasse tropas para outra missão de paz no mundo, além do Haiti.

O processo de negociação para que soldados do Exército integrem a força no Líbano começou em 2013, após a ONU consultar o Brasil se um batalhão poderia ser enviado.

ONU quer 'neutralizar' rebeldes
O conflito no Congo teve início após o genocídio em Ruanda, em 1994, segundo a ONU, e em seu período mais sangrento, entre 1996 e 2003, teria resultado em 4 milhões de mortes.

Desde então, diversos grupos rebeldes se ramificaram pelo país. O maior deles é o Movimento 23 de Março (M23), formado por ex-militares e que, em 2012, tomou o controle de diversas áreas do país. Desde julho de 2010, quando a missão foi criada, 55 soldados da ONU morreram em ataques rebeldes.

Em 28 de março de 2013, uma resolução do Conselho de Segurança, em uma situação inédita na história da ONU, deu à Monusco um mandato para ocupar territórios dominados por grupos rebeldes, em especial o M23, acusado de ataques contra a população, abusos aos direitos humanos, exploração sexual e violação ao direito internacional. A ONU determinou que fosse adicionada à tropa atual no terreno uma “brigada de intervenção”, que terá três batalhões de infantaria, uma artilharia e uma companhia de Forças Especiais.

O objetivo da tropa será “neutralizar” os grupos armados no país, tendo direito a usar “todos os meios necessários” para recuperar as áreas dominadas pelos rebeldes, prendê-los e garantir a paz. A missão tem caráter ofensivo e pró-ativo e foi criticada por rebeldes disseram que a ONU estava perdendo a imparcialidade.

No mandato da Monusco que criou a brigada de internveção, o Conselho de Segurança diz que o caso tem "base excepcional", "não cria precedente" e também não prejudica os princípios que gerem as missões de paz.


sábado, 11 de maio de 2013

Mariz de Oliveira: "Vivemos a era da violência sem causa"

Época

O criminalista, antes contrário à redução da maioridade penal, mudou de opinião – mas diz que antes é preciso resolver outros problemas, como o dos presídios



PATOLOGIA
O criminalista Mariz de Oliveira no seu escritório, em
São Paulo. “Hoje, o assaltante despoja você de todos
os seus bens e depois dá um tiro na cara”
(Foto: Marcelo Min/Fotogarrafa/ÉPOCA)
Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, de 67 anos, é um dos mais experientes advogados criminalistas do Brasil. Foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e é conselheiro do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Atuou em casos importantes, como o Collorgate e o mensalão. Nunca escondeu sua simpatia política pelos partidos de esquerda – na ditadura, apoiou o MDB. Mesmo quando esteve à frente da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, entre 1990 e 1991, não abandonou suas convicções de defensor dos direitos humanos – entre elas, a inimputabilidade dos menores de 18 anos garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Agora, diante de um cenário que ele classifica como uma “violência de caráter patológico”, Mariz de Oliveira mudou: “Hoje, me sinto impossibilitado com minha consciência de continuar com esse discurso”. 

ÉPOCA – Até uma década atrás, o alto grau de violência da sociedade brasileira era atribuído quase totalmente às desigualdades sociais. O senhor concorda com isso?
Antônio Cláudio Mariz de Oliveira – 
Esta violência urbana, do assaltante, do estuprador, teve sua raiz no social, impulsionada pelo consumismo que tomou conta do país. Hoje, as questões sociais e algumas de caráter econômico, como a ampliação do crédito, estão se desprendendo do crime, ou o crime está se desprendendo delas. Temos uma criminalidade extremamente preocupante, a violência sem causa. Isso demonstra um desamor, um desrespeito à vida humana. Mesmo sob a ótica do criminoso, a violência não apresenta nenhuma razão de ser. O assaltante despoja você de todos os seus bens e depois dá um tiro na cara. O professor morre porque deu nota baixa ao aluno. Estamos diante de uma violência de caráter patológico.

ÉPOCA – Qual a causa?
Mariz de Oliveira –
 
Não sei. Mas sei dizer o que não deve ser a resposta: o combate a esse tipo de violência não pode se limitar à cadeia. A punição não resolverá o problema. Estamos enxugando gelo há 50 anos, pedindo mais polícia na rua, pedindo pena de morte e aplaudindo veladamente os grupos de extermínio. Ou passamos a ter um discurso voltado para a descoberta das causas da criminalidade, causas de caráter social, ético, moral, sociológico, psiquiátrico, ou viveremos cada vez mais reféns da insegurança subjetiva, do temor do crime. O medo é o terror gerado por toda uma cultura da insegurança.

ÉPOCA – Como o senhor acompanha o debate em torno da redução da maioridade penal, relançado agora pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP)?
Mariz de Oliveira –
 Sempre fui contra, a vida inteira, veemen­temente contra. Hoje, tenho mudado de opinião. Primeiro, porque a infância e a adolescência não são mais as mesmas de 30 anos atrás. Não há mais ingenuidade, aquele elevado grau de pureza. Por causa dos avanços tecnológicos, a sociedade é mais liberal, os pais tratam os filhos de maneira mais democrática. Isso dá às crianças um acesso prematuro a informações de todas as espécies. Por outro lado, embora possamos teorizar em torno da inimputabilidade do menor, isso tudo perde sentido diante do fato concreto. Como posso usar esse discurso de que o menor não está devidamente formado, de que ele não sabe o que faz, diante de um rapaz de 16 anos que dá um tiro na cabeça de outra pessoa? Hoje, me sinto impossibilitado com a minha consciência de continuar com esse discurso. Mas, simplesmente, diminuir a idade (penal) não resolverá nada. O sistema penitenciário é fator de aumento do grau de criminalidade.

ÉPOCA – Qual a solução?

Mariz de Oliveira – A proposta do governador Alckmin não é ruim: aumentar o tempo de internação, que deve variar de acordo com a gravidade do crime e periculosidade de quem o comete, possibilitando ao juiz graduar, e não mais ficar limitado a três anos, como hoje. Mas, depois de prender, é preciso investir na liberdade, fazer com o menor preso o que não foi feito quando ele estava em liberdade, suprir as carências na saúde, educação e cultura.

ÉPOCA – É possível dizer que os diferentes governos de diferentes partidos falharam no combate ao crime?
Mariz de Oliveira – Atribuo essa falha ao discurso sem foco e enganoso de que apenas cadeia resolve. A prisão como única resposta é uma falácia. Essas leis criadas em momento de pânico servem apenas para enganar a população. Isso que a classe política faz é criminoso. Qual é a raiz do crime de colarinho-branco? É falta de ética. E não discutimos isso. Pedem apenas a prisão do outro para que possam continuar a praticar seus crimes, continuar levando vantagem. O Brasil sempre foi um país com desvios de conduta, com esse jeitinho de contornar as normas. Se um menino aprende com o pai a comprar produtos piratas, na idade adulta não terá muito clara a noção do ilícito. O próprio sistema tributário brasileiro é um fator criminógeno, porque a alta carga é incompatível com a renda de 90% da população. Ela paga sem sequer saber o que paga e para onde vai esse dinheiro. Quem não pode pagar sonega para sobreviver.

ÉPOCA – O Brasil ficou famoso como país da impunidade, que não coloca criminosos na cadeia. O senhor acredita nisso?
Mariz de Oliveira – Isso é uma falácia. O que é a impunidade? Você tem ideia de quantos autores de crimes não são descobertos? As pessoas dizem assim: “Aumentaremos as penas, porque o sujeito sabendo que pegará 25 anos de cadeia não cometerá crimes”. Mentira. Nada intimida o criminoso, porque ele não só não tem medo da punição, como tem quase certeza de que não será descoberto. Quem descobrirá? Mato uma pessoa no meio da rua e vou embora, pronto. Os sistemas de repressão têm falhas. Há uma estrutura de Polícia Militar e Polícia Civil que não funciona.

ÉPOCA – O senhor é favorável à unificação das polícias?
Mariz de Oliveira – Sim, com a desmilitarização da Polícia Militar. A missão dela não deve ser o combate de guerra, mas a proteção ao cidadão. Fui secretário da Segurança de São Paulo e posso dizer: não há 5 mil policiais na rua. Eles não vão para a rua.

ÉPOCA – O senhor foi advogado do jornalista Pimenta Neves, que matou a namorada, Sandra Gomide, em 2000 e só foi preso em 2011. Esse caso foi apontado como um exemplo de impunidade.
Mariz de Oliveira – O crime e o processo em si já foram uma punição para ele. O fato de ele ter sido preso somente depois de dez anos não diz nada, não significou nenhum embaraço à sociedade. Ele em liberdade não matou mais gente.

ÉPOCA – O julgamento do mensalão foi bom para o Brasil na sua visão?
Mariz de Oliveira – Durante um tempo, ficará essa visão de que se fez justiça. Mas não sei se isso durará muito tempo, porque não se fez justiça por inteiro. Ela foi parcial e para satisfazer anseios sociais. Fui advogado do PC (Paulo César Farias, morto em 1996), durante o Collorgate(processo que levou ao impeachment de Fernando Collor, em 1992), e posso dizer que, desde então, o Brasil não mudou. Continuam existindo a necessidade de obter recursos para campanhas, as sobras, as empresas que dão dinheiro, mas não querem dizer que deram, a montagem dos apoios aos governos. É tudo igualzinho até hoje. 

ÉPOCA – Os presídios brasileiros têm condições de fazer isso?

Mariz de Oliveira – Não, teríamos de investir, de criar escola presídio, indústria presídio.

Júri popular de cinco réus termina com quatro deles condenados em Joinville

AN

Somadas, as penas determinadas alcançam 118 anos de prisão

Advogados tiveram duas horas e meia para apresentar defesasFoto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS
O júri popular que colocou cinco homens no banco dos réus, na última quinta-feira, terminou com quatro deles condenados em Joinville. Sebastião Carvalho de Araújo recebeu uma sentença com penas que, somadas, alcançam 49 anos e quatro meses de prisão.

A segunda maior condenação foi para Paulo Henrique Pereira, sentenciado a 31 anos e dois meses de prisão. Carlos Tonn foi condenado a 21 anos de prisão e Willian José de Oliveira a 17 anos de prisão. Nenhum dos quatro réus poderá apelar da sentença em liberdade.

Anderson Rafael, que era o único a responder ao processo em liberdade, foi absolvido. O julgamento começou às 13h30 e só terminou após a meia-noite desta sexta-feira. O júri garantiu o primeiro desfecho do processo que apurava dois homicídios, uma tentativa de homicídio, além dos crimes de ocultação de cadáver e corrupção de menores.

Parte dos crimes ocorreu no bairro Comasa. Um dos homicídios foi registrado em Ascurra. Os réus negaram participação nos crimes.

OPERAÇÕES POLICIAIS REFORÇAM A SEGURANÇA NA ZONA SUL DE JOINVILLE

AN

Estabelecimentos comerciais também são fiscalizados pela PM

Barreiras policiais foram montadas em pontos estratégicosFoto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS
A operação Choque de Ordem que iniciou em março e ocorre uma vez por semana em bairros da zona Sul está sendo realizada nesta sexta-feira pela Polícia Militar nos bairros Jarivatuba, João Costa e Itaum. O efetivo de 31 policiais militares saiu às ruas a partir das 17 horas em viaturas e com o apoio da cavalaria. 


A força policial é intensificada durante a operação a fim de aumentar a sensação de segurança da comunidade e apreender armas, drogas além de pessoas com mandados de prisão em aberto. Barreiras foram montadas em pontos estratégicos para realizar as abordagens. Veículos com documentos irregulares não passam despercebidos.


Ao mesmo tempo em que os três bairros eram tomados por policiais, uma segunda operação igualmente comandada pelo 17º batalhão da Polícia Militar, chamada Varredura, iniciou às 19 horas desta sexta-feira nos bairros Floresta, Profipo, Santa Catarina, Itinga, Parque Guarani e Paranaguamirim. 


Neste caso, os estabelecimentos comerciais são o foco da operação que também ocorre periodicamente. Os alvarás de funcionamento de bares, restaurantes e lanchonetes são fiscalizados. É possível que nesses ambientes ocorram apreensões de armas, drogas e prisões. As duas operações iniciaram no final da tarde e devem seguir durante a madrugada. 

MINISTRO DA DEFESA APRESENTA PROJETOS DA DEFESA NACIONAL NO SENADO

Defesanet

Amorim apresenta projetos da defesa nacional em audiência pública no Senado
Ministro da Defesa, Celso Amorim durante audiência pública da CRE sobre projetos e iniciativas desenvolvidos pela pasta Foto - Geraldo Magela/Agência Senado

Brasília, 09/05/2013 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, apresentou em audiência pública no Senado Federal os principais projetos em curso para as Forças Armadas. Em sua exposição, disse que a concretização e a manutenção desses programas depende de investimento contínuo e voltou a defender que o volume de recursos dedicados à Defesa passe dos atuais 1,5% para 2% do Produto Interno Bruto (PIB), num prazo de dez anos. A audiência aconteceu na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

“A regularidade de investimentos na área militar é absolutamente imprescindível, porque de pouco adianta você ter um armamento que seja obsoleto ou que não funcione, você ter dez aviões e só poder usar cinco, ou três ou dois. Então, a constância dos recursos não só para os grandes projetos – para esses não têm realmente faltado – mas também para o esforço de manutenção é muito importante, é vital na área da defesa”, afirmou.

Celso Amorim iniciou a explanação lembrando a escolha do embaixador Roberto Azevêdo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o ministro, a vitória de Azevêdo mostrou a força dos países em desenvolvimento naquele organismo internacional. “Quero mencionar aqui a minha satisfação diante da importantíssima vitória do Brasil”, comemorou ao lembrar que um brasileiro está à frente também da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva.

Durante cerca de três horas, Amorim tratou também de temas como o Livro Branco da Defesa Nacional, a lei de incentivo à base industrial de defesa, as ações nas fronteiras brasileiras e o planejamento de segurança para os grandes eventos, que começam a ser colocados em prática com a Copa das Confederações e prosseguem com a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2013, a Copa do Mundo Fifa 2014 e as Olímpiadas Rio 2016.

Leia, abaixo, alguns trechos da audiência pública realizada no Senado Federal.

Relação do MD com o Congresso Nacional

“Tenho sempre procurado manter um contato estreito e regular com as duas Casas do Congresso Nacional sobre todos os assuntos atinentes à pasta da Defesa, o que naturalmente reflete também a importância que o debate sobre os temas de defesa alcançaram na agenda política e na agenda pública brasileira. O acompanhamento atento da política de defesa pelo Congresso Nacional aprofunda um diálogo que é absolutamente indispensável para a vitalidade da democracia brasileira.”

Eleição de Azevêdo para OMC

“Talvez, antes de passar a um aprofundamento aqui ou a um detalhamento das minhas observações, eu gostaria apenas de mencionar, como esta é uma Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, também a nossa grande satisfação – eu sei que isso foi feito antes pelo senador Ricardo Ferraço – com a importantíssima vitória do Brasil –, e eu repito muito que é do Brasil, não é apenas de um governo, é um fato que vai se somando a toda uma capacidade de presença no mundo – com a eleição do Embaixador Roberto Azevedo para o cargo de Diretor-Geral do OMC. Como me tocou ser ministro das Relações Exteriores por tanto tempo, eu acho difícil não mencionar a importância desse fato.
 
A OMC é um dos órgãos principais da governança global dos três principais órgãos econômicos internacionais. A não ser num episódio muito peculiar em que o mandato foi dividido, ela nunca havia sido dirigida por um país em desenvolvimento. Isso ocorreu, como eu disse, de uma maneira muito peculiar por um tailandês, e nunca tinha sido seguramente por um latinoamericano.

Então, é uma grande vitória, é um motivo de regozijo. E eu digo isso porque o Brasil, com essas posições, Senadora, que vai assumindo, vai se tornando mais importante no cenário internacional. Obviamente, mais protagonismo traz também, algumas vezes, sentimentos de ordens variadas que têm implicação também para a Defesa.

Mas eu queria deixar registro dessa importante conquista e cumprimentar o meu colega Antônio Patriota por ter dirigido, sob orientação da presidenta Dilma Rousseff, esse processo.

É uma vitória importantíssima para o Itamaraty e, como Defesa e Relações Exteriores se complementam muito, eu não poderia deixar de fazer isso.”

Parlamento e política de defesa

“Mas volto a dizer aqui sobre a importância do Congresso Nacional e do Legislativo para a nossa política de defesa. A Constituição brasileira atribui ao Legislativo responsabilidades de extrema relevância sobre o trabalho do Ministério da Defesa, como a decisão sobre as leis orçamentárias, definição dos efetivos das Forças Armadas, passando pela aprovação de iniciativas ligadas a atividades nucleares e pela incorporação de tratados internacionais ao ordenamento jurídico brasileiro.

Não podemos esquecer que a Lei Complementar nº 136, de 2010, determinou também que os documentos que norteiam a defesa do País, a política nacional de defesa e a estratégica nacional de defesa, e o Livro Branco, que na realidade não é um documento normativo, mas é um documento expositivo, fossem também submetidos à apreciação desta Casa. E aproveito para agradecer a aprovação desses documentos pelo Senado Federal, que agora estão na Câmara. Espero que em breve possam ir ao Plenário.

Essas competências do Legislativo, muito especialmente do Senado, induzem à necessidade de uma perfeita sinergia entre o Executivo e o Legislativo. Tal sinergia se torna sinergia entre o Executivo e o Legislativo. Tal sinergia torna-se particularmente importante num momento atual em que observamos um novo posicionamento do Brasil no cenário internacional.”

Necessidade de investir em Defesa


 “A estatura do país no século XXI requer Forças Armadas bem equipadas e adestradas para a proteção do nosso patrimônio e dos nossos recursos. Essa é justamente uma das dimensões da estratégia nacional de defesa, e cito textualmente, o vínculo entre o conceito e a política de independência nacional, de um lado, e as Forças Armadas, para resguardar esta independência de outro.

A inserção internacional do Brasil deve, portanto, conjugar a política externa à política de defesa. Baseia-se em dois níveis coordenados de proteção dos interesses nacionais, a ação diplomática, que antecipa crises e previne o seu surgimento, e ação militar, quando for necessária, quando os canais diplomáticos já não estiverem disponíveis. Uma defesa robusta é, em nossa opinião, um complemento indispensável de uma política externa pacífica, não há nenhuma contradição. Ás vezes, as pessoas perguntam por que um país pacífico como o Brasil precisa de uma defesa importante é porque justamente, tendo uma defesa, estaremos dissuadindo eventuais ameaças a nossa segurança, aos nossos recursos, conforme vou detalhar mais tarde.”

Importância do Ministério da Defesa

“O Ministério da Defesa é, como sabem, um ministério novo, que vai ainda completar 14 anos de vida, poderíamos dizer, se fôssemos comparar com uma pessoa que está ainda vivendo a sua adolescência, mas que vem se consolidando com algumas medidas importantes. Algumas delas foram tomadas ainda antes da minha gestão, desde o início, evidentemente, a criação do Ministério foi feita pelo governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso e, ao longo do governo do presidente Lula, várias medidas foram tomadas, sobretudo, em 2010, quando se consolidou o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e também se deu uma estrutura mais ampla ao ministério, com a criação de Secretarias como a Secretaria de Produtos de Defesa, a Secretaria de Ensino, Saúde e Desporto, além da Secretaria de Organização. Isso veio ocorrendo com o tempo, e, agora, mais recentemente, já no governo da presidenta Dilma, quando já me tocava ser ministro, lei e decreto aprovaram uma nova estrutura de cargos, ampliaram a estrutura de cargos do Ministério da Defesa, o que acentua essa natureza civil do Ministério.”

Criação do cargo de secretário-geral no Ministério

“Embora os instrumentos sejam naturalmente militares, predominantemente é um Ministério civil, e um dos cargos importantes criados foi o de secretário-geral, hoje presente aqui, na audiência, o  Ari Matos, que exerce este cargo, que é o equivalente aproximado dos cargos de Secretário-Executivo que existem nos outros ministérios. Claro que, como o Ministério da Defesa tem uma estrutura peculiar, que veio, digamos, se sobrepor à preexistência das Forças de maneira independente do próprio Estado-Maior das Forças Armadas no passado, a simetria não é exata. Na realidade, quem substitui o ministro são os Comandos Militares por um sistema de rodízio, mas a criação desse cargo que coordena toda a parte civil, mas que tem uma interface constante, inclusive, com a parte militar, tanto no que diz respeito a orçamento, pessoal, questões que dizem respeito às três Forças, à saúde, a parte toda de indústria, de defesa, de equipamento, a criação desse cargo de secretário-geral é de extrema importância. E quero agradecer aqui a compreensão que tivemos do Congresso Nacional, que aprovou celeremente essa nova lei que possibilitou finalmente, então, a criação do cargo. E também dentro desse contexto da criação do cargo.”

Instituto Pandiá Calógeras

“E também, dentro desse contexto da criação dos novos cargos, acho que é algo que deve ser ressaltado, a criação do Instituto Pandiá Calógeras, que é um instituto civil para pesquisa na área de defesa. É ainda algo muito embrionário. Na realidade, hoje consta apenas o seu titular, e estamos tratando de nomear agora uma segunda pessoa, além do pessoal de secretaria. Mas acho que é algo muito importante. Ele não vem se sobrepor nem, de maneira alguma, duplicar as funções da Escola Superior de Guerra que continuará atuando com suas funções de ensino e com suas funções também de pesquisa mais tipicamente militar. Mas era muito importante que existisse também um instituto civil para a área de defesa, até para trabalhar conjuntamente com nossa Secretaria de Ensino, conjuntamente com as Forças e com a Escola Superior de Guerra, no contato com a Academia, na futura preparação de currículos para a carreira de analista de defesa (analista ou gestor de defesa), que ainda é discutida internamente no Governo. Mas, enfim, é algo também muito importante.”

Ministro da Defesa, Celso Amorim (à esq.) chega para audiência pública da CRE onde fala sobre projetos e iniciativas desenvolvidos pela pasta. A seu lado, o presidente da comissão, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) Foto - Geraldo MAgela / Agência Senado

Reequipamento das Forças Armadas

“Eu seria, digamos, a última pessoa a negar que há uma necessidade de reequipamento de reaparelhamento. Agora, também eu acho que nós temos de colocar isso em perspectiva. E tem havido um incremento constante das dotações orçamentárias, às vezes há uma pequena oscilação de um ano para outro. Mas se nós compararmos, por exemplo, de 2005 a 2013, a parte que mais interessa, porque é a que estaria mais sujeita a oscilações, a parte de Custeio e Investimento, passou pouco mais de R$ 6 bilhões em 2005 e chegou a R$17,5 bilhões em 2013. Então, há uma considerável melhorar na situação que está muito longe de corrigir ou sanar todas as falhas que existem, mas há um esforço constante nesse plano.”

Orçamento e PIB

“Eu só queria fazer uma referência, en passant, até para termos uma base comparativa. Nosso orçamento tem oscilado, nos últimos anos, em volta de 1.5% do PIB, um pouco mais, um pouco menos. Embora tenha havido esse crescimento, que eu anotei, especialmente no que diz respeito a Custeio e Investimentos, se fizermos uma comparação com outros países, inclusive com os do Brics, grupo ao qual hoje o Brasil se associa em muitos aspectos, esse orçamento ainda é baixo. A média dos Brics – a média –, pois, se tomarmos países como a Rússia ou mesmo a Índia, será muito mais alto. Mas a média dos Brics é da ordem de 2.5%. A do Brasil é pouquinho abaixo: de 1.5%. Então, se me perguntassem qual seria uma meta razoável para o Brasil atingir, e nós entendemos razoável para o Brasil atingir, e nós entendemos claramente que isso não ocorre de um ano para o outro. Eu diria que, se nós, em 10 anos, chegássemos a 2% do PIB, até porque as Forças Armadas têm tido mais e mais tarefas, seria algo razoável.”

Incentivo à base industrial de defesa

“O governo da presidenta Dilma Rousseff está comprometido com essa necessidade de continuidade e tem buscado recuperar a capacidade de investimento estratégico do Brasil, contribuindo dessa forma para o renascimento da indústria de defesa.

Eu mencionaria aqui como muito importante – e contamos aqui com o apoio do Congresso e, especialmente, do Senado – uma lei que foi aprovada muito rapidamente, a Lei nº 12.598, sobre a empresa estratégica de defesa, que marca uma inflexão na política nacional. Além de instituir um marco regulatório para o setor, a lei diminui o custo de produção de companhias legalmente classificadas como estratégicas e estabelece incentivos ao desenvolvimento da tecnologia indispensável ao setor.

Essa lei já está regulamentada. Foi assinado, este ano, o decreto nº 7.970, que vai trazer de imediato a possibilidade de credenciamento das empresas estratégicas de defesa que farão jus a incentivos governamentais, com impacto direto na geração de tecnologia e no desenvolvimento econômico.”

Licitação especial

“Um dos aspectos importantes da lei é a criação de um termo de licitação especial, com o objetivo de favorecer as empresas nacionais que tenham realmente investido nesse setor, cujas cadeias produtivas estejam efetivamente colocadas no Brasil. Eu acho que isso é muito importante, porque a própria presidenta tem dito várias vezes que a indústria de defesa é uma indústria de conhecimento. Então, não houve país que desenvolvesse sua ciência e tecnologia sem indústria de defesa. Se você olhar, por exemplo, no caso dos Estados Unidos, naquela época – eu não tenho a estatística atual, mas não devem ter mudado substancialmente os números relativos –, 50% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento vinham através de encomendas do Pentágono. Então, a pesquisa militar é que gerou a indústria aeronáutica – como, aliás, é o caso no Brasil –, gerou a internet, que nós também estamos tentando desenvolver aqui.”

Os programas da Defesa

“Mencionei rapidamente aqui essa questão industrial e queria só fazer, digamos, uma referência aos principais programas, os programas prioritários da Defesa, que estão, aliás, explícitos na Estratégia Nacional de Defesa. E a segunda versão, já vista e apreciada no Senado, elenca como setores prioritários: nuclear, cibernético e espacial.

No setor nuclear, é óbvio. Quer dizer, a capacidade desenvolvida com o Programa Nuclear da Marinha tem uma vertente que é a propulsão nuclear do submarino, mas toda a capacidade desenvolvida e já alcançada de enriquecimento de urânio – o Brasil é um dos poucos países no mundo que têm essa capacidade – tem, naturalmente, interesse também para produção de eletricidade, para usos medicinais, que é de extraordinária importância.

E criamos no ano passado  o Centro de Defesa Cibernética, que já esteve ativo na Rio+20, que estará ativo nos grandes eventos e que começa a desenvolver uma capacidade em um dos setores mais importantes.

Programa espacial

“E no setor espacial é bastante óbvio, aí é uma área mais complexa, porque a competência primária sobre o Programa Espacial brasileiro é a da Agência Espacial, localizada no Ministério da Ciência e Tecnologia, mas cabe, digamos, basicamente à Força Aérea a execução de toda a parte relativa a lançadores. E aí os recursos têm sido menores do que talvez tivesse sido desejável.

Temos planejado o lançamento, um lançamento, digamos, experimental em 2014, se eu não me engano, e 2016 seria já um lançamento com carga útil, 2015 ou 2016, seria um lançamento com carga útil com o satélite.

Mas, se nós compararmos com outros países que têm, digamos, um nível de desenvolvimento semelhante ao nosso, nós temos que caminhar. E não é por dificuldade tecnológica. O Brasil desenvolveu toda a capacidade tecnológica. É, realmente, houve no passado, uma irregularidade muito grande nos recursos do Programa Espacial, ainda temos alguma dificuldade nesse sentido, mas é um programa ao qual damos grande importância.
 
E eu, digamos, entre as iniciativas recentes que têm a ver com ele de certa maneira, eu incluiria, tem a ver com outros aspectos da Ciência e Tecnologia, eu mencionaria a decisão de praticamente dobrar a capacidade discente e docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, que é onde as pessoas estão localizadas e também do CTA, do Centro Tecnológico da Aeronáutica. Não é dobrar, mas é um aumento, também, muito considerável de pessoal.”

Projetos no PAC

“Da mesma forma, a Marinha está empenhada no Projeto Barroso, que é o desenvolvimento num projeto de uma corveta, que já existe no ano passado, mas que tem que ser atualizado, e é um projeto integralmente nacional, não é apenas a construção no Brasil. O projeto é brasileiro, tem que ser atualizado.

Muito importante, também, nesse contexto, é o Projeto Guarani, do blindado sobre rodas. O ano passado nós tivemos uma importante aquisição permitida pelo parque nós tivemos uma importante aquisição de equipamentos permitida pelo PAC: cerca de 40 blindados, que formarão o primeiro lote que vai ajudar o Exército a testar, inclusive, a aprimorar a produção. Já temos o interesse, por exemplo, de alguns vizinhos nossos – entre outros, a Argentina – na aquisição do blindado Guarani, que vai substituir os antigos Urutus e Cascavéis. Acho que isso também é algo muito importante. E os recursos têm sido assegurados todos os anos.”

Fronteiras

“Temos programas do tipo Sisfron, que é um programa de vigilância nas fronteiras, ambicioso, de longo prazo, cujo custo total é de cerca de R$10 bilhões. É claro que vamos ter que, aos poucos, adequando isso às possibilidades, mas, mesmo este ano, a previsão é de mais de R$200 milhões. Portanto, não é algo desprezível. Creio que, no mês que vem, se não me engano – não é, general Enzo? –, vai ser inaugurado o projeto piloto do Sisfron em Campo Grande. Então, é algo bem concreto. Não estamos falando de algo longínquo, que não está ocorrendo.

Nesse contexto de outros projetos importantes, eu mencionaria também o KC-390, o avião cargueiro e reabastecedor que vai substituir os antigos Hercules, que todos conhecem: Hercules C-130. Ele não vai substituir só no Brasil. Ele vai, na realidade, concorrer internacionalmente para um mercado muito amplo, porque todos esses Hercules C-130 estão envelhecidos, são aviões muito antigos, de mais de 50 anos. E isso vai gerar uma nova demanda. Nesse contexto, não posso deixar de mencionar os aviões Super Tucano.

Hoje nós temos pouco menos de cem, noventa e poucos, na nossa Força Aérea. Já vendemos – acho que incluídas as encomendas que estão sendo feitas – cerca de 70 no mundo para os mais variados países na América do Sul, na América Latina, em geral, na África, mas também, recentemente, para os Estados Unidos.”

Operações Ágata

“Grandes e importantes ações de fronteira, que nós realizamos junto com o Ministério da Justiça – as operações Ágata, que nós coordenamos, e as operações Sentinela, que o Ministério da Justiça coordena. As operações Ágata são operações maciças, de grande presença do Estado, sobretudo de força dissuasória. As operações Sentinela dizem respeito ao dia a dia que vai sendo conduzido. Uma ajuda a outra.

Só para terem uma noção, o contingente utilizado, o contingente de militares, fora outras agências militares das Forças Armadas, variou entre 2,5 mil e 2,8 mil na primeira operação Ágata e chegou a um máximo de 12 mil – estou falando das seis que se realizaram nos dois últimos anos – e agora nós vamos realizar, em antecipação à Copa das Confederações, agora no final de maio, uma grande operação que vai abranger toda a fronteira brasileira e que vai envolver cerca de 25 mil efetivos apenas das Forças Armadas, além da colaboração estreita da Polícia Federal, das polícias estaduais, da Receita Federal e de outros órgãos. Então, há algo muito concreto em benefício direto da população brasileira.”

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Homem é morto a tiros no bairro Adhemar Garcia, em Joinville

Notícias do Dia
por Cáudio Costa

Menor teria invadido a casa da vítima e efetuado três disparos

                                                                                                                                 Luciano Moraes/ND
Vítima havia deixado o Presídio Regional de Joinville em liberdade provisória há cerca de oito dias
Um homem de 25 anos foi morto com três tiros por volta das 17h de terça-feira (7), em uma área de invasão na rua Dimas Nunes Francisca, bair­ro Adhemar Garcia, em Joinville. A vítima é Gilmar Merleles Lima que havia deixado o Presídio Regional em liberdade provisória há cerca de oito dias, onde cumpria pena por furto e roubo.

A Polícia Civil investiga o caso. As primeiras informações seriam de que um menor armado de revólver invadiu a casa onde Gilmar estava sozi­nho, foi até o quarto onde ele estava e atirou. Em seguida, fugiu a pé. Há cerca de oito meses, Gil­mar já havia sido atingido por oito tiros em uma tentativa de homicídio, mas sobreviveu.
O corpo foi levado ao IML (Instituto Médico Legal). Este foi o 24º assassinato registrado este ano em Joinville.

Mãe entregou suspeito de estupro no Rio para que ele não fosse morto

G1

Segundo o delegado, mulher temia ação de traficantes contra o menor.
'Estávamos atrapalhando o negócio deles', disse titular da 33ªDP.

O suspeito de estuprar uma mulher durante assalto a um ônibus da linha 369 (Bangu - Carioca), na sexta-feira (3), foi detido após uma negociação entre a polícia e a própria mãe, que ficou com medo que o jovem fosse morto por traficantes. “Como nós estávamos atrapalhando o 'negócio' deles, ela disse que entregaria o filho para que ele não fosse morto por traficantes”, disse o delegado Carlos Augusto Nogueira, titular da 33ªDP (Realengo), responsável pela prisão do menor.
Segundo ele, se não houvesse essa pressão dos criminosos, talvez a mãe não tivesse contribuído para o trabalho de negociação. A polícia chegou até a família do suspeito através de um policial de Duque de Caxias, que disse conhecer o jovem. Segundo o delegado, após a divulgação do vídeo do crime a polícia foi para a Favela Parque das Missões.
O menor, de 16 anos, foi detido na terça-feira (7) por policiais da 33ª DP. De acordo com informações do delegado, ele confessou os crimes, se disse arrependido e alegou estar fora de si devido ao uso de cocaína.
Participação em outros crimes é investigada
A polícia também investiga se o menor já tinha passagem pela polícia por outro assalto a um coletivo, no meio de 2012. Segundo o delegado da 17ª DP (São Cristóvão), Maurício Luciano, ele teria sido apresentado à 27ª DP (Vicente de Carvalho) na época, mas foi liberado da Vara da Infância e da Juventude quando seus responsáveis se comprometeram e retornar, o que não foi feito.

Ainda segundo o delegado, quatro passageiros do ônibus 369 fizeram o reconhecimento do menor nesta terça, entre elas a vítima do estupro, que chorou muito ao ver o criminoso.
“Para um adolescente que ainda não completou 17 anos, ele demonstrou muita desenvoltura, ousadia, praticando uma covardia com uma mulher dentro de um ônibus e roubando os pertences de passageiros. Não demonstrou arrependimento, parecia ter certeza da impunidade", disse o delegado.
"O fato de ele já ter cometido um crime há um ano, mostra uma reincidência, uma personalidade voltada para a prática criminal. Há projetos no Congresso relacionados à redução da maioridade penal. Acho que esse fato deve servir de reflexão para a sociedade saber o que quer.”
O caso foi encaminhado à 2ª Vara da Infância de Juventude e o menor será levado para a Escola João Luiz Alves, antigo Instituto Padre Severino, onde poderá ficar internado só até completar 21 anos. Após completar a idade, fica livre e com a ficha criminal limpa e responderá, caso cometa novo crime, como réu primário.
A polícia ainda investiga se o menor já havia praticado outros crimes semelhantes. Uma das testemunhas disse ao delegado que quando o criminoso abriu a mochila para colocar os pertences roubados, foi possível ver outros objetos. Além disso, o delegado disse que já houve ligações sobre outros possíveis estupros, e pede que informações sejam passadas para o Disque-Denúncia.
Menor queria dinheiro para festa de aniversário
Ainda de acordo com Nogueira, o detido teria dito que o motivo para os assaltos seria conseguir dinheiro para realizar uma festa de aniversário, para celebrar os 17 anos que completa no domingo (12). Além disso, ele estaria preocupado com a reação da sociedade.

O menor se apresentou à polícia próximo ao Comando de Operações Navais da Marinha, às margens da Avenida Washington Luis, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O jovem morava com a mãe na favela Para Pedro, em Irajá e, segundo contou à polícia em depoimento informal ao ser detido, decidiu ir para a casa da avó, que fica próxima ao local onde se entregou.
Para fugir após cometer os crimes, o menor contou que pegou carona com um motoboy e que durante a fuga perdeu a arma, comprada em um lixão de Caxias com R$ 450 — economizado ao fazer "bicos".
Mandou passageiros para o final do ônibus
Após mandar que todos os passageiros fossem até o fundo do veículo, que tem a porta localizada no centro, o criminoso ordenou que um dos passageiros recolhesse os pertences dos demais. Ele então pulou a roleta e foi passar ordens ao motorista, revelando seu rosto com nitidez à câmera.

No início da semana, a vítima relatou os momentos de terror que viveu dentro do coletivo. "Ele levantou e foi para o meio do ônibus e anunciou o assalto. Ele mandou todo mundo ir para o fundo do ônibus. Pegou na minha mão e e disse 'vamos aqui na frente' e me levou para o banco especial, ali perto do motorista. Sentou, mandou eu sentar ao lado dele, me abraçou e começou a colocar a arma nas minhas costelas. Ele bateu seis vezes com o revólver na minha cabeça. Puxou meu cabelo, e colocou a arma na minha cabeça e falou assim 'coloca a tua roupa e volta pro teu lugar', descreveu a vítima do abuso.

TREINAMENTO MILITAR NA SELVA GANHA DESTAQUE NO NEW YORK TIMES

Defesanet
Parte da “ambição brasileira de espalhar sua influência no mundo em desenvolvimento”, o Centro de Instrução de Guerra na Selva do Exército brasileiro ganhou destaque na capa do portal do jornal americano The New York Times nesta terça-feira. 
O correspondente Simon Romero esteve na base de Marechal Rondon, e relata o difícil treinamento de nove semanas que forma militares de elite, prontos para atender aos interesses geopolíticos do país, segundo o texto. “Nem Rambo conseguiria terminar este curso”, diz um dos entrevistados.
A reportagem, de título “Da selva, o Brasil quer aumentar seu alcance”, diz que o treinamento é parte do objetivo do Brasil de expandir sua influência na região. Isso é demonstrado pelo fato de que o curso tem sido oferecido a militares de países como Senegal, Angola, Argentina, Guiana, Suriname e França, a fim de “elevar o perfil [do Brasil] do outro lado do Atlântico”. “Treinar uma força militar vai permitir ao Brasil afirmar sua soberania sobre a região amazônica”, diz, além de ajudar a envolver o país em forças da ONU em outros países, como ocorreu no Haiti.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

'Fizeram um corredor humano', diz comerciante sobre assalto no RS

G1

Proprietária de uma relojoaria testemunhou assalto a banco em Sarandi. 
Quadrilha fez policiais militares e moradores reféns; dois já foram presos.
Moradores foram usados como escudo humano pela quadrilha (Foto: André Luiz Ferronato/Arquivo Pessoal)
Proprietária de uma relojoaria e ótica localizada ao lado da agência bancária assaltada, a comerciante Ioli Dal Santo testemunhou os momentos de tensão vividos pelos moradores de Sarandi nesta segunda-feira (6). A ação de uma quadrilha de assaltantes de banco levou terror ao município de pouco mais de 30 mil habitantes no Norte do Rio Grande do Sul

Segundo a Brigada Militar, a ação dos criminosos no município começou por volta das 11h30. A quadrilha, suspeita de assaltar uma agência do Banrisul em Constantinahoras antes, chegou às imediações do Banco do Brasil já atirando, disseram testemunhas. Dois policiais militares que estavam no local foram feitos reféns pelo grupo.
“Quando nós vimos, os bandidos estavam abordando os policiais e mandando tirar o colete à prova de balas. Outras pessoas que estavam por ali foram feitas reféns. Fizeram um corredor humano para entrar no banco” relata a comerciante.
Ioli conta que os criminosos usaram uma van para bloquear a rua lateral de acesso ao banco. Os PMs e outros reféns foram levados para dentro de agência, enquanto um homem, com touca ninja a armamento pesado, ficou patrulhando a rua. Minutos após fechar a porta da relojoaria e se esconder com outros funcionários em uma sala, ela ouviu tiros. A essa altura, praticamente todo o comércio na Avenida Expedicionário estava fechado.
“Ficamos todos em uma sala atrás do balcão, sem saber se tudo já tinha acabado. Eu ouvi só um tiro. Mas outras pessoas disseram que foram um monte de tiros”, relata Ioli.


Polícia apreendeu armamento pesado e recuperou

dinheiro roubado (Foto: Fábio Lehmen/RBS TV)
Segundo informações repassadas pela Brigada Militar e Polícia Civil, após pegar o dinheiro no banco, a quadrilha fugiu em um Nissan Tiida, levando os PMS como reféns. Durante a fuga, eles foram interceptados por uma guarnição do Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Passo Fundo, que se deslocava para atender a ocorrência em Constantina. Houve perseguição e troca de tiros.
O carro usado pela quadrilha bateu em outro no bairro Santa Catarina, a pouco mais de 300 metros da agência bancária. Um policial ficou ferido no acidente, mas foi encaminhado ao Hospital Comunitário e não corre risco, segundo o delegado Edson Cezimbra. Pelo menos dois suspeitos fugiran a pé do local do acidente e se esconderam em matagal próximo, diz a polícia.
Outros dois homens abordaram um carro que passaram pelo local e continuaram a fuga. Eles trocaram de veículo em um posto de gasolina e se refugiaram na empresa Samaq, onde fizeram o proprietário e dois filhos dele reféns. Cercados pela Brigada Militar e Polícia Civil, os dois criminosos exigiram a presença da imprensa e de representantes do Ministério Público, antes de se entregarem por volta das 13h. A polícia faz buscas na região pelos outros suspeitos.
O primeiro ataque a bancos na região ocorreu em Constantina, a cerca de 35 quilômetros de distância de Sarandi. De acordo com a polícia, a ação começou com a invasão da casa do gerente de uma agência do Banrisul ainda na noite de domingo (5). Ele e a mulher foram mantidos reféns por pelo menos quatro homens até a manhã desta segunda, quando ocorreu o assalto. Funcionários foram rendidos, e o dinheiro do cofre, levado. Pelo armamento usado nos assaltos, a Polícia Civil acredita que trata-se da mesma quadrilha.

domingo, 5 de maio de 2013

"INSEGURANÇA DA INFORMAÇÃO": Lei melhora combate a crimes cibernéticos, mas apresenta deficiências

AN

Caso do Facebook em Joinville abre brecha para dupla interpretação

A legislação para combater a crimes cibernéticos lembra a internet por celular: chegou tarde, é inadequada e não atinge todos os pontos necessários. As regras eram debatidas desde 1999, mas só quando fotos de Carolina Dieckmann nua vazaram na rede, medidas foram tomadas. 


A lei que leva o nome da atriz entrou em vigor em 2 de abril, mas acabou deixando de fora pontos óbvios. O sigilo dos e-mails, por exemplo, não está previsto. Como no Direito brasileiro vale somente o que está escrito em uma lei, apenas cartas e telegramas são invioláveis. 



Problema mais palpável é a falta de uma delegacia especializada em investigações cibernéticas em Santa Catarina. As delegacias comuns têm outras prioridades, como roubos e homicídios, afirma Rogério Nogueira Meirelles, ex-coordenador de Tecnologia da Polícia Federal (PF) em Brasília e membro do Botnet A Force, grupo internacional de combate a crimes virtuais que reúne as principais polícias do mundo.



Ele considera branda a punição prevista na Lei Carolina Dieckmann, que prevê de três meses a um ano de prisão. A fixação da pena para os crimes virtuais foi um dos motivos para tamanho atraso na publicação da legislação, explica o advogado especialista em delitos cibernéticos e professor da PUC-SP, Pedro Beretta. Como são menos de dois anos, o mais comum será a aplicação de penas alternativas.

Casos catarinensesBeretta ressalta que a lei tem falhas na redação que abrem brechas para entendimentos diferentes. Ele cita o artigo 154 A, que descreve ser crime "invadir dispositivo informática alheio". O advogado questiona como será o veredicto se alguém emprestar o computador com uma rede social aberta e o conteúdo privado ser difundido. 

O caso lembra o episódio desta semana de Joinville que ganhou repercussão nacional, quando um homem publicou no Facebook a conversa em que sua namorada marcava encontro com um professor.

Neste caso, de acordo com Beretta, se não foi preciso quebrar a senha, existe uma boa tese de defesa em um eventual processo. O advogado declara ainda que a reforma em curso do Código Penal trará novos dispositivos e pode corrigir eventuais falhas existentes até então. 

A medida é necessária, garante o ex-coordenador de tecnologia da PF, porque as lacunas na Lei Carolina Dieckmann impedem que o Brasil participe de acordos internacionais de combate a crimes cibernéticos.

Delitos virtuais não envolvem somente grandes corporações ou casos de briga de casal. Em Florianópolis, por exemplo, há uma fraude envolvendo cerca de 300 senhas da prefeitura cuja investigação também caberia a uma delegacia de crimes Cibernéticos. Foram identificadas tentativas de invasão ao sistema de gerenciamento da prefeitura por pessoas não desconhecidas. 

A suspeita da polícia é que, por meio eletrônico, criminosos estão entrando no sistema para modificar certidões de débitos, taxas e outras negativas. O prefeito Cesar Souza encaminhou o pedido de investigação à Deic.

Mesmo com as deficiências encontradas na legislação brasileira, os dois especialistas concordam que há avanços, porque a lei regula e permite a punição de delitos que antes passavam incólume. 

E se em Santa Catarina a criação da Delegacia de Combate aos Crimes Cibernéticos saísse do papel, é possível afirmar que o Estado estaria na vanguarda desse tipo de trabalho.


Mais notícias:
http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/policia/noticia/2012/05/especialista-comenta-o-uso-das-redes-sociais-no-sequestro-da-engenheira-carolina-luisa-3772033.html

Incêndio destrói duas casas na zona Leste de Joinville

Notícias do Dia
por Cláudio Costa

Quatro viaturas foram deslocadas para controlar as chamas

Um incêndio destruiu duas casas localizadas na rua Willy Schossland, no bairro Aventureiro, zona Leste Joinville, na tarde deste sábado (4). Segundo o Corpo de Bombeiros Voluntários, quatro viaturas foram deslocadas para controlar as chamas às 15h10. As duas residências foram rapidamente consumidas pelo fogo.
Aproximadamente 15 mil litros de água foram utilizados no combate às chamas. Em uma das casas, um homem de 57 anos teve que ser retirado por familiares porque estava acamado e dormindo. Não há informações se havia outras pessoas na outra residência. As causas do incêndio serão investigadas.

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